sexta-feira, 19 de agosto de 2011

não sou capaz de intitular esse texto

No dia 11 de agosto, minha avó, uma senhora de 80 anos portadora de osteoporose avançada, deu entrada no HPS com uma fratura no colo do fêmur e outra na cabeça do úmero. A segunda é superficial, mas a primeira necessita de cirurgia e colocação de prótese. A forma como as fraturas aconteceram é bastante nebulosa mas não vem ao caso agora. A questão é: no HPS eles não fazem outro tipo de cirurgia que não as de emergência - compreensível -, portanto lá está ela, desde então, atirada em uma cama, esperando uma vaga em outra hospital para realizar o procedimento pelo SUS.

Minha avó não é a única. Existe uma fila de pessoas na frente (e uma ainda maior atrás) aguardando atendimento. Enquanto isso, Dona Maria, com uma dor absurda nos arredores da articulação coxo-femoral precisa aguentar no osso (literalmente) a dor do sacolejo de troca de fraldas 4 vezes ao dia porque não pode se mover para ir ao banheiro. A fratura em si não está sendo tratada, nem há o que se possa fazer sem a cirurgia. No máximo recebe um bom tratamento dos enfermeiros-anjos de plantão, um remédio para a dor, outro para a circulação e alguma fisioterapia. Ou seja: o básico para que ela não morra esperando. (o que não é exatamente verdade porque quanto mais o tempo passa, mais chance de ocorrer embolia pulmonar, até onde eu sei)

Imagino que os profissionais da saúde estejam, de fato, com as mãos atadas. Não me impressiona a situação. Eu mesma já trabalhei em um hospital que atendia pelo SUS e sei bem como funciona. Mas isso faz dez anos e naquela época era velho oeste. Só que quando a coisa tá nesse nível, só pode melhorar. Pelo menos a indignação era geral. Agora não é bem assim. Existe um sistema de vagas, as pessoas entram na fila e são classificadas por idade, gravidade da desgraça e localização geográfica, pelo que eu entendi. A minha avó, por exemplo, é prioridade. Por ser prioridade, ela espera apenas entre 10 e 30 dias para receber o atendimento. Agora imaginem vocês quanto tempo espera uma pessoa jovem, sem risco de vida e que mora na região metropolitana? Um conselho? Arranca o que te incomoda e segue a vida, porque quando te atenderem provavelmente a amputação vai ser a solução de qualquer forma.

E aí que reside o problema: o sistema é lindo, o sistema é justo. Só que o sistema não funciona. Ai de quem abrir a boca para reclamar. Porque a postura das assistentes sociais do HPS é constranger o familiar, para que ele se sinta um crápula egoísta por se preocupar com o paciente em questão. É evidente que eu não quero que a minha avó passe na frente de outras senhorinhas convalescentes. Eu quero que TODO MUNDO receba atendimento no momento em que necessita, porque ESSE é o DIREITO do cidadão. "Ah, mas é normal esperar, tem gente que espera um mês". Sim, é normal. E é ERRADO. O sistema é falho, o sistema é péssimo. Ele é justo porque não tem mais gente furando a fila? Sim, justíssimo, mas ele só serve pra organizar o caos. E pra institucionalizar o comodismo na saúde pública. Então é difundido o pensamento do "calma, tá tudo bem agora" dentro da hospital quando o correto seria que, mesmo e justamente por estarem impotentes, os profissionais incentivassem que as pessoas procurassem os seus direitos. Porque elas os têm.

Não acredito, e não acredito mesmo, que não haja solução pra isso. Sou leiga? MUITO. Mas que eu saiba não precisa prova de conhecimentos em gestão pública pra votar, portanto não precisa pra reclamar também, não é? Não tem vaga em hospital público? Paga pro particular, ué. Faz a fila andar. Não estamos falando de fila de transplante de órgãos, que depende de gente morrendo pra se movimentar. Estamos falando da necessidade de espaço físico, material e equipe especializada. E tudo isso se consegue com $$$$. O slogan de todo candidato a segurar essa bronca é "saúde e educação em primeiro lugar", não é verdade? Estamos todos de acordo, não estamos? Então cortem gastos supérfluos. Acabem com as sessões solenes (que têm esse nome por serem solenemente ignoradas pela população, rá), fica até chato essa pompa toda diante de tanta gente gemendo. Cortem a verba do "vale-terno", fica deselegante, e até meio brega, usar traje esporte fino na casa do povo, não orna. Parem de gastar esse absurdo de papel e energia. Vamos dizer que minhas sugestões sejam aceitas. Não dá nem pra pagar tomografia pra gurizada, né?

Não interessa. O pensamento voltado para o coletivo é muito lindo, principalmente na teoria. Mas na prática é bem comum servir como desculpa pra inércia. "Que adianta resolver o problema de um e deixar tanta gente de fora?". E enquanto se corre atrás - ou se espera - por ações grandiosas, nada é feito. Mudem o foco. Realmente pensar em migalhas diante de uma desgraça tão grande pode parecer pouca coisa. Mas uma pessoa, uminha que seja, que tem a vida destruída, ou terminada, esperando numa fila dessas é muito. Muito mesmo.


quarta-feira, 24 de março de 2010

can-sei

Olha, acho que nunca na história desse blog eu falei sério ou algo que prestasse. Na verdade, nem sei se o que vem a seguir prestará, principalmente porque escrevo no calor da revolta. Mas enfim, né?, blog serve pra isso. A gente fala o que quer e lê quem tiver vontade. É tipo terapia digrátis.

Pois bem, estou ABISMADA com a capacidade do ser humano de não refletir nem um tantinho sobre as coisas antes de tomar uma posição em determinadas situações. Aí depois de se posicionar, a pessoa repete aquilo como se fosse um MANTRA (alou? é pra se convencer?), rebatendo sempre com o mesmo argumento não importa quantas reviravoltas possa haver. E aí parece que TUDO, tudo que acontece serve pra confirmar aquela ideia fixa, mesmo que os fatos demonstrem exatamente o oposto. Sim, criam-se relações de causa e consequência e sistemas (i)lógicos que não fazem sentido algum. Nessa vibe, quando se critica o outro lado, o que se diz são coisas que aplicam-se justamente a si próprio. É, aquela coisa, tu chama alguém de violento dizendo que ele deveria tomar um pau pra aprender. Ainda na mesma linha, tu pega o teu próprio recalque e coloca na boca do outro. Levanta uma bandeira que te precede, e acha que todo mundo que não gosta de ti o faz única e exclusivamente porque tem problemas com a tua ideologia ou a tua imagem. Porque não existem pessoas (quanto mais chatas e desagradáveis) pra gente gostar ou não, mas sim representações icônicas de meia dúzia de estereótipos. Também não existem ideias pra gente discordar, só preconceitos pra gente vestir.

Recalcado é o outro. Problemático é o outro. Sempre. Não lidam com as próprias frustrações e descontam em quem é diferente, né?

Claro, vocês me odeiam porque eu sou NANICA. Eu sei, não adianta negar.

Aff.

Sério, me cansa muito discutir com gente que se recusa a raciocinar e insiste em se defender com o ataque. Aquele discurso passivo-agressivo do dito injustiçado.

Porque, claro, a gente nem sempre tem razão. Aliás, quase nunca. Mas a capacidade de questionar isso - ainda que não se chegue a lugar algum - é o que mais importa. Mesmo.


terça-feira, 16 de março de 2010

ainda sobre o cobrador fora de si

Então ontem peguei aquele mesmo ônibus do último post ali, no intervalo do almoço. Logo percebi que o motorista tinha sido trocado e o cobrador era o mesmo. O motora novo conseguiu a façanha de, num movimentadíssimo cruzamento de AVENIDAS, entrar à esquerda quando era pra ir reto, voltar DE RÉ e pegar a reta de novo. Sim, ao meio-dia. Sim, havia muito trânsito. E sim, ouvi um horror de buzinas em pânico ao fundo. Espero que estejam todos vivos.

Aí concluí: mas eu só faço merda mesmo (fora a Clara, evidentemente). O FOCO da minha denúncia era o cobrador. Como eu disse, o motora errou, mas quem aloprou mesmo foi o asquerosão da roleta. Claro, não necessariamente a troca de motorista foi culpa minha, né? Muito provavelmente não. Mas fiquei encucada. E com um pouco de remorso também, confesso.

Então hoje, mesmo ônibus, num determinado momento TODO MUNDO começou a brigar com o cobrador maluco ao mesmo tempo. Tipo, geral xingando e o louco batendo boca com a galera. Pra vocês verem que não sou só eu a reclamona, o cara é realmente um LORPA. Ae de repente uma das tias que discutia falou, em resposta a algum desaforo do insano sobre perder o emprego: ah é? mas agora tu te deu mal! porque eu trabalho na prefeitura a ...... (sei lá eu quantos milhões de) anos!

WOW

Bom, né? Aguardemos o desfecho dessa emocionante aventura com tremendas confusões no transporte coletivo da capital.

terça-feira, 9 de março de 2010

transporte público em porto alegre é teste pra cardíaco (a/c galvão)

Ontem saí do trabalho às 11h30 e peguei o ônibus Praia de Belas, porque ia tentar dar uma nadadinha esperta no intervalo, antes de ir dar aquela ESPIADINHA na Clara em casa. Aí duas paradas antes da minha, tinha uma PÁ de gente querendo descer do bus e de repente o motorista arranca o carro. Não acompanhei muito bem esse início do bolo porque tava de fone, meio que ignorando o mundo. Ae a galera começou a gritar, muito mais desesperada que o normal: "PARA! PARA!"

O cobrador, um doce de pessoa, olhou pra galera e falou, com toda a classe do mundo: fiquem mais perto da porta, seu bando de boca aberta! Ae geral respondeu: tem criança aqui, animal!

Me espichei toda pra ver a criança, que tinha acabado de descer. Era um RECÉM-NASCIDO. Sério, era um bebê microscópico no colo da mãe e o motorista tinha arrancado o ônibus quando ela tava descendo. O pai tava EM CHAMAS de desespero e ódio e xingou de volta o cobrador. Dou TODA A RAZÃO do mundo pra ele. Ae o cobrador, um anjo de candura, ficou xingando de volta e DEBOCHANDO do pai.

Eu desci logo depois, mas peguei o prefixo e denunciei geral pra EPTC. Todos nós sabemos que as minhas denúncias não têm surtido efeito algum, mas não dava pra deixar passar batido. Pena que demooora pra essa galera do 118 atender o telefone, porque eu queria mesmo era ter denunciado de DENTRO do ônibus, na frente do estrupício. Não quero nem pensar na desgraça que poderia ter acontecido. O motorista cometeu um erro, nem sei que reação ele teve. Mas o cobrador assinou embaixo e levantou a bandeira da incompetência e falta de educação que reina no transporte coletivo da cidade. Péssimo ser humano, tem todo o meu desprezo.

***

Então hoje é aniversário do meu padrasto e tava rolando um almoço em família. Acabei saindo atrasada pro trabalho e peguei um táxi. Porque eu tenho SORTE, foi só o trânsito trancar um pouquinho ali na Aureliano que o motorista DORMIU na direção. Sim, ele dormiu e o carro apagou quando ele tentou disfarçar. Foi super legal. Mandei me deixar ali mesmo e que ficasse com o troco. O cara não queria deixar eu descer e não pegou o dinheiro. Saí praticamente fugida do carro, no canteiro central da avenida, na chuva. Foi tãaaaao divertido. Só que eu fui trouxa e não peguei o prefixo do táxi pra continuar o ciclo de denúncias. Sei lá, fiquei mega nervosa com a insistência do cara, preferi fugir pela minha vida. E, na verdade, espero muito que ele não esteja matando alguém nesse momento. Evidentemente não consegui outro táxi, tive que caminhar até a parada e esperar o ônibus. Cheguei meia hora atrasa. FIM.

terça-feira, 2 de março de 2010

monstrinho da mãe!


A minha fifi é tão delicada, mas tão delicadinha mesmo, que nos últimos meses eu já chamei ela dos apelidos mais fofos do universo. Por exemplo, a Clara tem algo do Taz, porque curte muito destruir coisas. Com gana.







Mas às vezes eu também chamo ela de Tutubarão, por causa da arcada desdentária potente que ela tem. E outra, ela ri muito quando eu vou em direção a ela fazendo NHAC NHAC NHAC, fingindo que eu vou morder aquelas dobrinhas. Sim, as brincadeiras da Clara são um bocado violentas, mas é tudo fake. E foi ela quem começou!




Mas o meu apelido preferido pra ela é COELHINHO DO MONTY PYTHON. Direto na jugular!





Também por causa da fixação dela em agarrar as pessoas pelos cabelos (e não soltar nunca mais), chamo ela de Tilikum, a baleia. Mas como a original, ela faz isso por excesso de amor.







Depois de segurar violentamente a pessoa pelos cabelos, ela imobiliza usando as pernas também. Relaxa, tu só sai quando ELA quiser. É uma Judoquinha das boas.





Por fim, também chamo ela de Tintin ou de Charlie Brown, mas são comparações unicamente imagéticas. Um por causa do topete, outro por causa do perfil. Sério, de ladinho ela fica idêntica ao Charlie.




Mas mesmo quando a gente fica todo escabelado no meio da rua, ainda acha bonitinho porque...


Óooounnn!

whyyyy??

Por que tudo que eu compro dá problema? E olha que eu só compro coisas EXTREMAMENTE necessárias. Juro. Dá nem pra dizer que é castigo. Acho que é falta de prática mesmo. Saco.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

alguém me explica?

Deixa eu contar uma história IRRITANTE pra vocês (por favor, opinem ou pelo menos me mandem palavras de afeto e apoio):

Na sexta-feira anterior ao carnaval, fui até a loja da CLARO comprar um aparelho novo, já que eu estava usando celulares emprestados da família havia muito tempo. Cheguei lá e falei pro rapaz: quero um barato com um MP3 player. Em cinco minutos, comprei o lance. Sim, eu sou uma pessoa PRÁTICA e, inclusive, isso é o que mais está me indignando no momento: como o mundo e as pessoas COMPLICAM a vida de gente como eu. Daí cheguei em casa e usei o cabinho USB do telefone pra passar as músicas pro celular. O computador não reconheceu o dispositivo, não abria de jeito nenhum. Tentei em dois computadores. No sábado mesmo, voltei na loja. Aí a recepcionista me mandou na VIVO (sim, juro) pra que eu procurasse um consultor da samsung, marca do bendito telefone. Fui de idiota. Não tinha ninguém. Voltei pra claro e tava outro cara na recepção, aí eu falei: QUERO SER ATENDIDA. E a pinta insistiu em saber o problema. Contei o caso com detalhes e ele falou: é porque tem que BAIXAR UM PROGRAMA no site da samsung pra poder fazer transferência de dados do telefone pro computador e vice-versa. Liguei pra minha irmã e pedi pra ela ver se existia mesmo tal programa, quando ela confirmou, voltei pra casa.

Quando testei o programa, ele não dava a opção de transferir arquivos (ou baixar) para o cartão de memória (que tem 1Gb), só pra memória interna, que tem uns meguinhas, apenas. Ou seja, dava colocar uma música e MEIA no telefone. Passei o feriado tentando SACAR o programa, porque talvez o problema fosse EU. Aí eu notei que as últimas fotos que eu tinha tirado (depois de configurar pra que elas fossem direto pro cartão) simplesmente desapareciam, caso eu tirasse o cartão do telefone e colocasse de novo. BIZARRO. E, embora as imagens lá estivessem, o celular sempre acusava que a memória do cartão estava TOTALMENTE disponível. Tentei colocar o cartão de outra pessoa e funcionou LINDAMENTE.

No dia seguinte, tentei entrar em contato com a samsung, mas não consegui falar com nenhum atendente. Na quinta de manhã, me atenderam. Eu expliquei a história e o cara me afirmou que a loja deveria trocar o aparelho ou, pelo menos, o cartão de memória. Aí perguntei se tava GRAVANDO e pedi o número de protocolo. Fiz ele repetir que tinha que trocar.

Cheguei na loja e me foi informado que, embora ainda não fizessem sete dias da compra, eu não podia trocar porque o celular não poderia ter mais de uma hora falada de uso. O meu tinha uma hora, UM MINUTO e DEZ segundos. Isso não é uma piada. Nisso eu pedi pra trocar só o cartão. E a mulher fuçava, fuçava e dizia: mas o cartão tá aqui ó! E eu dizia: sim, eu sei, ele diz que tá aí, mas no computador não rola, no maldito programa da samsung inclusive. Aí chamaram o tal consultor lá da vivo e ele e o outro atendente passaram uma hora e meia testando a bosta do telefone. Em umas quinze tentativas, eles conseguiram ler o meu cartão UMA VEZ. Daí testaram um cartão da loja UMA VEZ e ele não funcionou. Então, EVIDENTEMENTE o celular era o problema, mas não dava pra trocar.

Meu, eu não troquei antes porque fui mal atendida no dia posterior à compra. E, falando sério, a loja não tem OBRIGAÇÃO de me vender um lance que funcione?

Aí o atendente me falou que entraria em contato com os "superiores", mas que eles só dariam a resposta segunda. De qualquer forma, eu deveria ficar sem LIGAR ou RECEBER chamadas o fim de semana inteiro. Bom, eu discuti muito com o cara, achei um baita desaforo e falei: ok, farei isso, mas espero MUITO que vocês troquem essa joça.

Agora há pouco o gracioso me mandou uma mensagem dizendo que não trocariam o telefone. Liguei e pedi pra falar com a gerente, que disse que não poderia trocar o telefone mas o cartão de memória, sim. CARA, eu cheguei na loja pedindo OUTRO cartão de memória. O TEMPO TODO. Se tivesse problema no telefone, aí eu ia, sei lá, pra assistência técnica da samsung, ou mesmo na loja, mas aí eu saberia que o problema era O telefone. Não ficaria uma hora e meia em pé discutindo com dois caras que NÃO sabiam o que estavam fazendo pra que eles ficassem dizendo: " é o cartão, não é o cartão, tu vê... que estranho, o meu funciona diferente" e mais um monte de coisa inútil.

Ainda acho MESMO que a loja tem a obrigação de vender um lance que funcione. E que eu tenho o direito de desistir da compra, mas eu não entendo porra nenhuma de código de defesa do consumidor. Esse lance de não poder falar mais de uma hora confere? Alguém sabe se há a chance de eu bater o pé e sair com o mínimo de vantagem nessa história? Será que dá pra processar?

Sério, me irrita muito o fato de EU ter que sair correndo atrás e perder o meu PRECIOSO tempo (cada vez mais escasso, vocês sabem) pra resolver um problema ocasionado por um erro que não foi meu. To muito puta, mesmo.

domingo

Ontem levei a Clara na redenção. Sério, foi muito fantástico. Apesar de ela ser uma frequentadora assídua da pracinha mais hypada do bairro e de já ter dado umas bandas no marinha, nada se compara com o tumulto que é o brique no domingo de manhã. Ela não sabia nem pra que lado olhava primeiro, ria sozinha no seu carrinho envenenado. Coisa mais querida. Claro, no meio do passeio ela deu uma bela duma cochilada. Bebês sempre dormem depois de um momento too much information, acho que é pra dar uma reiniciada no sistema e não dar tilt. E agora que ela aprendeu a abanar - e faz isso de forma que um missólogo* ficaria orgulhoso - faz o maior sucesso no meio do povo. Só que o tchau ela associou a somente com "ir embora" (parece meio evidente, eu sei, mas, né?, a gente usa o aceno pra ir e pra chegar**). Então quando ela não quer a presença de alguma coisa (seja pessoa ou objeto inanimado), fica dando tchauzinho pra ver se o lance sai de perto dela. Aí, embora ela goste de VER pessoas, me parece que ela prefere manter um certo distanciamento, sem dar muitas intimidades pra estranhos. Por isso fica mandando todo mundo embora. Resumindo: minha filha, né?

Aí mais tarde, tava reprisando na warner pela enésima vez o episódio de The Big Bang Theory que eu linkei ali embaixo. Na cena em que a Penny canta Soft Kitty pro Sheldon, a Clara parou, pensou e olhou pra todas as bocas femininas presentes pra ver quem tava cantando. Vendo todo mundo (milagrosamente) de boca fechada, virou pra TV e ficou assistindo, super compenetrada. Quando acabou a cena, começou a bater suas pré-palmas*** e sorrir toda contentona. Óouuunn! Coisa mais redonda!






*UM missólogo, literalmente. Meu grupo entrevistou o tal único missólogo brasileiro (ou é da galáxia?) prum trabalho de rádio na faculdade certa vez. Cá estava eu, atrás do guichê, mas lamento muito não ter participado. Diz que o cara é tudo que a gente imagina que um missólogo possa ser. Tipo, o vácuo em pessoa.

** Olha a louca com síndrome de EDUCADORA. Viu, pessoal? A gente usa o aceno em diversas situações. Espero ter ajudado com todo o meu conhecimento. ¬¬

*** Ela ainda não sabe bater palmas propriamente ditas. Na real, o problema consiste no bater. Por enquanto, ela junta as mãozinhas e balança pra cima e pra baixo. Tipo uma versão marreta biônica do martela o martelão do bonde do tigrão (eu sei que é difícil acreditar, mas eu realmente me impressiono comigo mesma quando escrevo lances como esse. são um horror de absurdas as referências que me vêm pra explicar as coisas).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

não vão me calar

Estava eu escrevendo um comentário em resposta ao da Cecília no post abaixo e não consegui publicar. Perdi. Aí fui escrever uma reclamação (claro) sobre o comentário que não publiquei, não consegui e igualmente a perdi. Enfim, não repetirei nem um, nem outro, embora tenham sido sinceros, porque perdi o momento da coisa. Porém, queria saber: vocês, blogueiros, sabem por que diabos isso acontece? Não é a primeira vez, não, hein?

na madruga

Esse lance de ser mãe muda até a noção de pesadelo da pessoa. Sonhei - e fiquei angustiadíssima - que tava dando banho na Clara e a água tava esfriando muito rápido. ¬¬

Mas, tudo bem, também sonhei com o Tim Gunn e com a Cecilia. Bati altos papos com ambos.

só pra compartilhar

Olha, eu sei que as pessoas se divertem e que muitas esperam muito tempo pelo carnaval (menos o pessoal de Salvador, que, segundo o capataz da presidência (né?), não precisa esperar, visto que o mesmo carnaval dura desde 1981), mas eu de-tes-to. E, tipo, mesmo sendo coisa da minoria, não gostar de carnaval deve ser o maior clichê da clichelândia, eu sei, mas não posso evitar.

Apesar das marchinhas e das mesmas músicas axé que eu detesto repetindo em looping, não é a festa que me incomoda. Porque, né?, se tu não gosta de PULAR carnaval, tu simplesmente não pula, ninguém te OBRIGA a participar dos festejos. E se é por música chata e repetitiva em todo lugar que tu vá, o natal ganha disparado. Aí vocês vão lembrar que eu também não gosto de natal e eu fico reclamando de tudo porque sou CHATA e fim. Mas não, veja bem, o festejo em si não me incomoda, mesmo. Até porque é um puta feriado e eu sou muito a favor de feriados. O que me irrita mesmo é que não acontece nada além de carnaval enquanto é carnaval. Vou exemplificar:

Certa feita, fiquei de plantão no carnaval. Eu trabalhava num EXCÊNTRICO jornal local e a minha editoria era responsável por páginas e mais páginas de notinhas. Assim, era uma editoria super relevante (¬¬). Então ficamos eu e minha chefe trabalhando, sei lá, das duas da tarde até à meia-noite (ela ficava mais, na real), preenchendo páginas de notinhas. Mas com um pequeno porém, não podia falar sobre carnaval. Porque uma editoria específica ia fazer a cobertura total, completa e absoluta sobre isso.

Juro.

Aí eu pergunto pra vocês: ALGUMA coisa que acontece entre sábado e quarta-feira nessa colorida e purpurinada festa NÃO É sobre carnaval?

Carnaval não é um feriado qualquer, nem uma festa qualquer, é um período histórico, um lugar, uma coisa que tem vida própria, com tentáculos, um universo paralelo. As pessoas envolvidas no carnaval formam uma civilização nova, uma sociedade com regras próprias. E as coisas acontecem ali, naquele contexto. Não é no carnaval que vale tudo? Esses dias me disseram que o carnaval é a última coisa antes de começar a quarentena (ou quaresma, sei lá), confere? Então quer dizer que mesmo os cristãos têm seu momento pagão durante o carnaval pra depois ficar quarenta dias sem beber, fuder e falar palavrão? Isso tem sentido religioso ou é só o tempo de tratamento contra as perebas adquiridas? Não sei mesmo, mas também não importa, o que importa é que tudo que acontece durante o feriado de carnaval, pertence ao carnaval. Pelo menos aqui nessa parte do globo, que é a que me interessa atualmente. Descolar os acontecimentos do carnaval - no Brasil, evidentemente - é a mesma coisa que dizer que uma coisa que aconteceu na Idade Média não tem relação com a Idade Média ou que algo que foi feito pelos, sei lá, índios, não tem relação com os índios. Sério, no próximo carnaval leiam as notícias do final de semana e confiram se não tem um tantinho de confete e serpentina em todas as histórias.

Exagerei? LÓGICO. Mas é assim que se reclama nessa vida, fazendo fiasco.

Então, repito, nada contra mesmo as pessoas que curtem muito o carnaval, embora os tenha chamado de perebentos (mas ó, foi com todo o respeito). Só acho meio chato esse lance de cobertura total carnavalesca por parte da imprensa. Porque eu fico pensando: quem GOSTA da coisa, tá lá no meio, né? Ou não, também, vai saber. E mesmo se eu fosse fanzoca de plumas e paetês não ficaria satisfeita só vendo milhares de fotos com pessoas iguais e penachos diferentes o dia inteiro. Mas, enfim, são poucos dias, a gente sobrevive. Foi só pra compartilhar mesmo.




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

mini geek

Clara só dorme com essa música. E funciona como mágica. Ou a gente vê televisão demais ou ela já entrou cedo nesse lance de referências pop super hypadas.




Acho que a gente vê tv demais mesmo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

voltei!

Então, pessoal, deixa eu contar uma história triste pra vocês (sente a vibe do retorno). Bem, todos pedem fotos da Clara. Alguns, por simpatia ou educação, perguntam se não tem uma foto minha com a Clara. Pois bem, não havia. Por algum motivo que a razão desconhece, a única foto decente de nós duas foi tirada pelo meu irmão, dia desses, porque nos arrumamos pra uma formatura (e não fomos, mas é outra história). E quando a gente fica bonito é bom registrar, né? Pra ter provas depois. Bom, como todas as outras coisas que pertencem ao meu irmão, dessa foto também não sei o paradeiro.

Aí hoje acordei, alimentei a criança, tomei meu banho e me vesti. Enquanto Clarinha dormia, fui tomar meu habitual café com leite de soja (creia, a gente até se apega) e resolvi comer bolachas. Aquele bendito pacote tava lá havia diiiiiiassss, eu sempre tomo só o café. Hoje resolvi INOVAR. Enfim, Clara acordou e eu fui aproveitar o meu tempo de QUALIDADE com a pequena antes de vir pra firma. Enquanto isso, esperava minha roomate sair do banho pra escovar os dentes. Aí vi a câmera e resolvi tirar fotos espontâneas de nós duas nesse bonito momento matinal. Na emoção do momento, não arrumei a luz, nem lembrava que tava em P&B, nem mirei direito. Fui lá e tchums, só na naturalidade. Muito me surpreendi ao ver que, como mágica, a foto ficou deveras bacana. Pensei: oh, tá aí uma foto que dá pra mostrar pra galera. Pra que, né? Fui passar pro computador no meu intervalo, olhei e choquei: ZOOM! Tem bolacha no meu dente!!!

Ai, gente, mereço? Estraguei uma foto tãaaao bonitinha e super espontânea por causa de uma bolacha no dente. Não me conformo. E a Clara saiu a coisa mais querida. Vejam vocês:





Photoshop, alguém? Sério, estou TRANSTORNADA com o ocorrido.

Mas ok, mesmo com os contratempos, estamos retornando às atividades do guichê. Foram oito felizes meses de fraldas e mamadeiras (e um horror de televisão também), mas agora é hora de labutar pra, enfim, poder comprar mais fraldas e fazer mais mamadeiras. Lets!

terça-feira, 31 de março de 2009

espírito de porco

Esses dias eu sonhei que tava fazendo telejornal. Tinha sido um acidente, claro. Nunca faria uma coisa dessas por vontade própria. Enfim, eu detesto tele e hoje eu descobri uma ótima desculpa pra que nunca mais me obriguem a fazer uma coisa dessas (ainda que dormindo). O jornal da manhã mostrou uma matéria que encerrou com japoneses sambando. Meu, japoneses sambando com chocalhos. Gente, japoneses em chamas sambando com chocalhos enquanto tocava tico-tico no fubá. Looonge de mim rir da alegria alheia só porque sou uma pessoa amarga, mas eu quase caí da cama convulsionando de tanto rir. Agora, me diz, alguém tem dúvidas de que eu faria o mesmo ao vivo na televisão? Mas que maldade do switch cortar direto pro estúdio. Eu estaria só com as perninhas pra cima rolando e às gargalhadas, se apresentadora fosse. Os profissionais, porém, estavam lá, compenetrados. Só uma risadinha no canto da boca. Confesso que agora até passei a respeitar essa gentalha. 

terça-feira, 24 de março de 2009

reclamação/retratação

Se tem uma coisa em que eu queria ser melhor sucedida é na minha relação com o celular. Porque, sério, é inacreditável. Toda vez que eu saio da frente do guichê pra ir no banheiro meu celular toca. Na sala, lógico, enquanto eu estou pelos corredores da repartição. Aí eu volto e tem chamada não atendida. Muitas vezes números desconhecidos, muitas vezes interurbanos. Aliás, acho que meu pai me ligou ontem (ligou?) e eu não atendi porque tava no banheiro.  

Também sou campeã internacional de deixar o celular no silencioso/mudo/estado vegetativo totalmente sem querer. Aí eventualmente eu olho e vejo que por dois minutos eu deixei de atender o lance que tava na minha fuça, piscando, mas sem se mover ou fazer qualquer barulho. 

Nunca encontro o celular na minha bolsa a tempo, mesmo quando eu to com o fone na orelha e ouço tocar desde o princípio. Às vezes me ligam quando eu to entrando no ônibus e eu não consigo subir carregando mochila, fios, cartão do tri interminável, eu mesma e o anexo e ainda atender ao telefone simultaneamente. 

Ah! Também deixo o celular no andar de cima lá em casa, ouço tocar de baixo e ou não chego ou desisto antes de tentar. Outras vezes nem ouço. Quase sempre toca o telefone quando eu to no banho. 

É comum tocar o telefone quando eu to dormindo, mas aí eu atendo e falo. Converso mó tempão. Mas isso não quer dizer que eu tenha acordado. Aí no outro dia eu não lembro de nada. Creio que ao menos a pessoa do outro lado se divirta já que útil não há de ser. 

Isso é só pra dizer pra ti, querido leitor, que se eu não te atendi não é porque não te amo mais. O problema não é você, sou eu. E meu telefone, naturalmente. Por isso que, sempre que eu posso, jogo ele pra se espatifar no chão e ainda faço parecer um acidente.