sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

racional

Quando eu tinha uns 13/14 anos era fãzoca dos Racionais MCs. Juro.

Tá, não tenho, assim, orgulho dessa fase, né? Mas é parte da minha história, não posso ignorar.

Aí num sábado escaldante da vida, minha melhor amiga à época e eu fomos ao Centro comprar UM cd pirata dos Racionais (era só o que a verba permitia) como prêmio de consolação, pois não poderíamos ir ao show deles que teria mais tarde por essas bandas - acho até que nesse mesmo dia.

Lá estávamos nós, serelepes, camisetão, calça jeans, tênis podre e o famigerado moletã amarrado na cintura (era verão? e daí? o estilo tá em primeiro lugar!), curtindo horrores o passeio...

PAUSA!

Eu curtindo o Centro da cidade num dia de calor? Sim! As coisas mudam, né, pessoal? Ainda bem! Mas lembrem-se sempre do objetivo mór do passeio antes de estranhar minha alegria. Isso é o de menos, creiam.

ENTÃO!

Numa dessas andanças entramos no segundo shópis mais chinelo da cidade e, enquanto descíamos pelas escadas rolantes avistamos um bonezinho IGUAL AO DO ED ROCK!

- Isso quer dizer absolutamente nada pra mim.

Eu sei. Vamos à colaboração visual, então.




Pessoal, Ed Rock. Ed Rock, meu respeitável público.

Só que esse boné aí não é o mesmo. Na época ele usava sempre um vermelho, mó legal, que foi o que nós reconhecemos.

Ainda não suspeitávamos que era ele mesmo, de verdade, carne e osso, porque, meeeeu, o que uma baita celebridade dessas tava fazendo no meio da rafuagem?

Ahahahahahahaha. Juuuuuuuro que o pensamento foi esse!

Retomando então, pela ordem dos acontecimentos.

Amiga enxerga o boné e me cutuca. Ela fala “olha, igual do édi róque”. Eu concordo. A gente observa o dono do boné. Um cara grande, com um puta rádio ligado no ombro (tocando rap, looooogico) e um cara duas vezes maior que ele do lado. Os dois com mó pose de mano.


Foram dois segundos eternos de silêncio enquanto caía a ficha. As duas se olharam em choque, transbordando de emoção: É O ED ROCK!

(fi-as-co! todo mundo olhou)

E ele sumiu!

Desespero, pânico, pavor. Perdemos uma oportunidade de ouro de falar com nosso ídolo ao vivo e a cores!

Aí começou a busca incessante. Rodamos o Centro inteiro loucamente (menos o shópin, percebam o erro fatal) atrás do superstar. Em vão.
Desalento. Caminhávamos agora devagar, desesperançadas. Aí depois da volta completa pela zona, estávamos quase chegando ao ponto de partida quando (adivinha?) avistamos Ed saindo do shópin com seu comparsa e seu gradiente.





Imaginem a adrenalina! As duas ficaram se catucando e se empurrando: fala tu! Não, fala tu! Ele vai me xingar! Eles não gostam de fãs! Vai lá! Que vergonha! Que medo!

Te meeeete! Os caras eram todos espiadões com essa coisa de fã, imprensa e pá. Mó estilão, vai dizer? Respeito, brou!

Aí nessa de empurra-empurra eu fui, toda cagada de medo, falar com Ed. E então, entre os camelôs, praticamente avancei no cara e foi uma coisa tipo assim, ó:






Só que eram dois mais o rádio, e não quatro.

Aí empostei a voz (tive que gritar, na verdade) e disse:

- Dá licença? Tu é o Ed Rock dos Racionais, né?

Aguardei o chute no rim. Em vez disso, veio a resposta:

- Sô.

Tremeu a terra! Tenho certeza! Acho que a voz de Lúcifer é mais ou menos assim. Pânico.

- Bah, olha só, tu TEM que me dar um autógrafo.

(gente, eu tinha que provar pros meus amigos que eu tinha visto o cara e falado com ele. Naquela época não existia essas firulas de camerazinha digital e escambau)

- Tá.

Uhuuuuu! Ele disse “tá”!
Agora só restavam dois problemas: papel e caneta.

O desespero voltou com tudo. Alopramos todo mundo na volta pedindo caneta e o mundo nos ignorava afu. Ed só olhava e aguardava pacientemente as duas loucas se descabelando alucinadas. E era um olho na galera, outro no ídolo, né? Vai que ele foge...

Aí um camelô importado se solidarizou e enquanto procurava a caneta perguntava?

- ¿Es Rrrracionais? ¿Rrrrracionais la musica? (nada mais me lembro)

Nós:

- É, é, isso aí. Lança a caneta, por favor? Por favoooorrr?

Em posse da caneta, precisávamos de papel. Num ato de coragem, catamos um pedaço de sei lá eu o que no chão (com pegadinhas de sola de sapato e tudo) e dividimos em dois.

Pronto! Assina aí, Ed!

E ele ainda bateu um papo com a gente! Perguntou se ia rolar de ir no show, a gente disse que não tinha grana, ele não nos deu ingresso (puto!) e tudo mais.

Nos despedimos e fomos em busca do CD pirata, tentando conseguir um desconto (!) com o nosso autógrafo. Ninguém aceitou a proposta.

Já na parada do bus, Ed passou a alguns metros de nós. Ficamos olhando e ele acenou com a cabeça. Puxa!

Bom dia: éramos amigonas dum astro da música e ainda tínhamos um CD camelô pra escutar na baia. Não precisávamos de mais nada.

4 comentários:

Diego Beck disse...

Tu é realmente surpreendente. Se tu quiser te consigo os autógrafos do Mano Brown, do Ice Blue e do Kl Jay pra completar a coleção.

administrador disse...

ahahahahahha
eu querooo!

são relíquias, to te dizendo. aí a gente espera eles morrerem, mais um pouquinho pra rolar a mitificação e vende os autógrafos por milhões!

Alexandre Alliatti disse...

Melhores versos:

A mina era VRIGI
E ainda era MINÓ
Agora faz chupeta
Em troca de pó

administrador disse...

ahahahahhhaa

eu gosto muito daquela parte:
dim, dim, dom!
rap é o som
que emana do opala már-roonnn!

aliás, já que temos alguns experts no assunto aqui no guichê, o pessoal poderia compartilhar quais são seus versos favoritos dos racionais. eu não vou brincar porque todos são meus favoritos. heh